Gestão estratégica: cinco pilares para uma retomada certeira

//Gestão estratégica: cinco pilares para uma retomada certeira

Gestão estratégica: cinco pilares para uma retomada certeira

By |2020-07-10T17:48:36-03:0010/07/2020|Planejamento Financeiro|0 Comments

A pandemia do novo coronavírus atingiu fortemente a maioria das empresas brasileiras. Com as restrições de funcionamento determinadas em todo o país, algumas empresas chegaram a fechar as portas e quase todas enfrentam uma série de desafios na retomada da atividade econômica, que ocorre aos poucos, acompanhando o gradual relaxamento das medidas de isolamento social.

Além da preocupação com as necessárias medidas de higiene, para proteção de colaboradores e clientes, empresários contabilizam os prejuízos e redobram os cuidados no retorno às atividades, pois as finanças foram seriamente abaladas nos últimos meses.

Não há muita margem para erros e, por isso, a gestão estratégica se torna fundamental para avaliar o cenário do momento e organizar os próximos passos dos empreendimentos.

Para Eduardo Nascimento, consultor de negócios do Sebrae-SP, o planejamento estratégico é importante para definir objetivos e maneiras de atingi-los, além de ter uma pronta resposta em relação aos imprevistos que apareçam no meio da trajetória.

“Os empresários que não tinham gestão estratégica foram os primeiros que quebraram. Todas as empresas sentiram, mas quem fez um planejamento estratégico saiu na frente na retomada. Quando você percorre o caminho estabelecido e monitora as possíveis ameaças, tem mais chance de driblar imprevistos, atuando de maneira pró-ativa”, afirma.

Com 14 anos de atuação como especialista em gestão empresarial, 11 deles no Sebrae-SP, Nascimento tem contato diário com empresários de variados segmentos e sabe bem as principais dificuldades enfrentadas. Para ele, uma coisa é clara: “é preciso entender que nunca voltaremos àquele mundo pré-pandemia, seja como empresário, consumidor ou colaborador”.

Gestão estratégica: Eduardo Nascimento, consultor de negócios do Sebrae-SP

Eduardo Nascimento, consultor de negócios do Sebrae-SP

Os cinco pilares da retomada

Por essa razão, o consultor lista cinco principais pilares que devem ser levados em conta na atual conjuntura, começando pelas finanças.

“É hora de entender os seus gastos, o que tem a receber de vendas, se pode antecipar recebíveis, negociar com os clientes. O primeiro passo é reduzir os gastos da porta para dentro. Consumo de energia, de água. Posso ter três maquininhas e passar a usar apenas uma, para reduzir o aluguel”, pontua. Ele lembra que também é preciso analisar a equipe, e se forem necessárias dispensas, priorizar a manutenção dos colaboradores mais comprometidos.

A recomendação seguinte leva em consideração gastos que podem ser negociáveis. “O empresário precisa avaliar gastos como aluguel e fornecedores. É o momento para negociar prazos maiores, descontos.” 

Outro ponto abordado é entender os direitos e deveres da empresa, aproveitando oportunidades que surgiram durante a pandemia. “No decorrer da crise, alguns benefícios foram criados pelo governo, como auxílio para folha de pagamento e pagamento posterior de impostos”, diz.

Crédito

Calculadora Trevys

O consultor do Sebrae-SP lembra que no momento de buscar crédito, é preciso cautela e muita pesquisa sobre as condições oferecidas. “Se for o caso, procurar linhas de crédito que melhor atendam sua necessidade, levando em consideração taxa, carência e prazo. É importante saber do quanto precisa para o capital de giro, para não solicitar nem pouco, nem muito crédito.”

Por fim, Nascimento destaca o caminho da inovação e da tecnologia para alavancar as vendas. “O quinto pilar é cuidar das vendas. Apostar no delivery, marketing, utilizar as mídias sociais. A presença digital veio para ficar. Quem ainda não fez, está sofrendo. A crise ensinou os empresários que ainda não tinham controle de seus negócios e não investiam no digital.”

Nesse aspecto, outra dica é intensificar a aproximação com os clientes, para poder conhecer seus novos hábitos e preferências.  “É hora de pensar no negócio, ouvir os colaboradores, os clientes. São eles que vão me mostrar meus pontos fortes e fracos. O jeito do cliente consumir mudou muito. Assim, surgem insights para inovar.”

O especialista entende que a situação pegou todos de surpresa, tornando mais difícil uma reação imediata, mas pede aos empresários que tomem decisões bem estudadas e calculadas, e que elas sejam colocadas prontamente em prática.

“Essa é a primeira crise que todos os empresários estão vivendo de verdade. É preciso tomar decisões baseadas na razão. O empresário tem que equilibrar a razão com a emoção. Precisa apertar o cinto, tanto na empresa quanto nas finanças pessoais, cortando os custos não estratégicos. Ele não pode ficar parado, precisa traçar um plano de ação rápido, buscando oportunidades”. 

Como último alerta, Nascimento reforça a necessidade de um acompanhamento e reavaliação frequentes do planejamento estratégico empresarial. 

“O planejamento é dinâmico, não é para ficar engavetado. Muitas empresas fazem, mas não colocam em prática, não vivem, não respiram aquilo. O planejamento estratégico é para ser revisto constantemente. Nesse cenário de pandemia, é preciso rever semanalmente e fazer as mudanças necessárias”, conclui.